In ore oritur sanitas (expressão em latim que significa "A saúde começa pela boca")
O Chile, apelidado por muitos de país de políticos e escritores, foi ímpar na proliferação de intelectuais através das suas tertúlias. Imaginando-nos sentados naquelas duas cadeiras, passemos tardes em esplanadas e cafés cheios em Valparaíso, cidade magnífica do Chile, convivendo e relembrando grandes intelectuais e senhores do Mundo, declamando poemas ou literatura, contando histórias e escrevendo... na procura de que se faça luz nas nossas cabeças e se criem novos ideais. Sentem-se aí.
sábado, 29 de janeiro de 2011
Por causas...
É engraçada a palavra “causa”. Primeiro, quando procuramos o seu sentido mais imediato no Dicionário encontramos: “agente eficaz que dá existência ao que não existia; motivo, razão. Facto: falar com conhecimento de causa (…)” Se a introduzirmos no site do google.pt só aparece “…Necropsia e mortalidade por causa…”, “…Duas causas principais que explicam…” “…grupos de causas…” e lá na terceira ou quarta página encontramos “Causas nobres”.
Infelizmente, e apesar dos esforços para se conseguir a Paz no mundo, o recurso a armas é ainda um meio de resolver diferenças entre as nações, entre os povos e entre grupos étnicos com o cortejo inerente de mortes e sofrimentos.
Os governos dos países mais desenvolvidos já começaram a tirar lições dessas experiências e já procuram dar contributos para a segurança, para o estabelecimento de forças políticas e para os cuidados de saúde.
Hoje em dia, e ao cidadão comum, já é mais fácil também participar em causas. Li no outro dia que enquanto se envia e-mails ou enquanto, simplesmente, se navega pela Internet, que se pode ajudar a combater a malária, que é um dos maiores desafios humanitários em África: o paludismo, actualmente, mata mais de um milhão de pessoas por ano e é a maior causa da mortalidade infantil.
Tudo, quando se quer e se quer fazer bem, são ou podem ser causas.
Contudo, e louváveis sejam todas as formas de participação, quem merece mesmo a congratulação e o respeito por este combate são as entidades e organizações não-governamentais criadas há anos com princípios directores de causas humanitárias. Sob o lema permanente que mais do que sonhar é preciso acreditar e concretizar, passam toda a vida a lutar por causas nobres e desafios humanitários. Os Médicos Sem Fronteiras, organização fundada na década de 1970 e prémio Nobel da Paz de 1999, por exemplo, tem lutado, pondo em risco a vida de milhares de profissionais de saúde (quantos a perdem), por meses e anos a fio, sem reclamar qualquer compensação, para levar assistência às pessoas que vivem nas áreas de conflito. Temos igualmente o nosso exemplo da AMI.
E estas entidades estão em todo o Mundo: Angola, Nigéria, Quénia, República Democrática do Congo, Somália, Sudão, Ruanda, África do Sul, Benin, Burkina Fasso, Malawi, Mali, Moçambique, El Salvador, Guatemala, Haiti, Venezuela, Panamá, Peru, Filipinas, Geórgia, Índia, Arménia, Bangladesh, Macedónia, Montenegro, Roménia, Rússia, Ucrânia, Kosovo, Nepal, Paquistão, Tailândia, Turquemenistão, Uzbequistão, e tantos outros.
Sem governos centrais actuantes há décadas, as crises de fome e desnutrição, a falta de serviços básicos de saúde, como a vacinação, ou a falta de serviços de água e saneamento são os “hábitos” de alguns destes países.
Milhões de deslocados, milhões de refugiados, milhões de sequestrados.
Opressões, conflitos, negligências. A violência é, por exemplo, a principal causa de morte na Colômbia.
Todo um Mundo desconhecido e só com estes relatos é que nos apercebemos do quanto somos privilegiados.
Não existe, de facto, nada mais nobre que contribuir para a melhoria das condições de vida das populações vítimas, com testemunho. Ainda bem que existe quem se preocupe com a liberdade como causa, na democracia como causa e no evoluir do Mundo como maior causa. Parabéns a quem as abraça! Nunca é uma vida em vão.
Achei que uma semana depois das eleições presidenciais, seria uma boa altura para elogiar Fernando Nobre e pedir-lhe que não se desvie do seu caminho e continue, por todos, a fazer aquilo que melhor sabe.
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Natureza Humana,
Reflexões e papeis espalhados
Conversas entre... Fernando Pessoa e Agostinho da Silva
Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...
Fernando Pessoa
Agostinho da Silva
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...
Fernando Pessoa
Trabalhar com esperança
“ (…) É evidente que muito tempo vai passar, é possível que passem séculos sem que nós consigamos dar o salto, fazer uma transição de uma economia de trabalho para uma economia ou para uma vida que seja a do lazer. No fim de contas talvez possamos dividir a vida da Humanidade em três grandes períodos: um primeiro em que o Homem não entendia sequer o que era o trabalho” (…), “uma segunda época, a do trabalho, em que aparecem até metafísicas conducentes e disciplinadoras de tudo isso e o trabalho veio por aí fora e está sendo, já no nosso tempo, uma angustia para muita gente. Aliás, duas espécies de angústia: a daqueles que não trabalham e que se perguntam como é que vão comer, porque até agora só se pode viver apresentando provas de que se trabalhou; e por outro lado a angústia daqueles que trabalham, mas que estão com medo que o trabalho tome conta deles.” (…) “Tenho esperança de que isso acabe e de que se abra então uma terceira idade, em que os homens possam não ter a preocupação do futuro como, provavelmente, não tinham os da primeira época. Ter a ideia de ser o presente o mais belo, a mais bela dádiva que eles poderiam ter, cantá-lo, estudá-lo, meditá-lo, contemplá-lo, de todo o jeito, ao presente que passa e que passa rápido na nossa curtíssima vida e olhar para o futuro que dê plenamente essa capacidade de contemplação e de criação do homem, aproveitando tudo aquilo que foi feito com o sacrifício dos trabalhadores durante séculos e séculos. Provavelmente ainda levará muito tempo para isso, mas tenho esperança, tenho esperança (…)”
Agostinho da Silva
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Saudades de uma década
No início desta década, no ano 2000, logo no dia 19 de Janeiro desse ano completei 16 Anos. Actualmente, dez anos depois, e pela simples lógica das contas, tenho 26.
Desde a adolescência e dos tempos do liceu, passei para a Faculdade onde me licenciei e hoje em dia já trabalho. Isto representa claramente que se tratou de uma década com especial relevância na minha vida e na preparação do futuro que me avizinha.
Assim, hoje celebro especialmente uma entrada numa nova década, que espero com o mesmo sucesso e alegria, mas não faria sentido fazê-lo sem deixar todas as saudades desta última.
Saudades do liceu e dos amigos de lá
Saudades de estar com a minha Mãe, sempre.
Tantas saudades dos consecutivos Verões em Vila Nova de Milfontes.
Saudades do meu 2 CV e da minha Dyane
Agora, saudades da sofrida campanha do meu Pai à Câmara de Cascais em 2005
Saudades dos primeiros Anos na Faculdade
Saudades da Academia
Saudades da minha amiga Filipa, de Coimbra
Saudades de Paris
Saudades de todas as viagens que fiz com o meu Primo, das quais não tenho todas as fotografias: Amesterdam,Funchal, Rio de Janeiro, Moscovo, Madrid, Natal, Helsinquia, Tallin (...)
Que saudades (e que desilusão) o Euro 2004. Vi no Estádio Portugal-Rússia, Portugal-Inglaterra, Portugal-Holanda e Portugal-Grécia.
Que saudades deste momento inesquecível ao lado do meu Pai.
Saudades do Benfica Campeão em 2004/2005 e 2009/2010.
Saudades do Chelsea de José Mourinho
Saudades dos últimos anos e dos colegas na Faculdade
Saudades da Bella Italia (Interrail)
Da Eslovénia
De Budapeste
Da Inesquecível Croácia
Barcelona vs REAL MADRID
Saudades do meu irmão Cardozo quando era pequenino...
Independentemente de se ter tornado um cão tão bonito e simpático agora que é crescido.
"A compaixão pelos animais está intimamente ligada à bondade do carácter e pode ser seguramente afirmado que quem é cruel com os animais não pode ser um bom homem" (A. Schopenhauer), li um dia.

Saudades do dia da Queima das Fitas, que assinalava o término da minha licenciatura, no qual consegui reunir mais de 50 pessoas, entre família e amigos, junto a mim.
Que saudades tenho de ver a sala cheia no dia em que defendi a minha monografia de Mestrado: Cuidados de saúde oral em doentes transplantados - uma perspectiva holística em Medicina, orientada pelo Professor Doutor António de Vasconcelos Tavares.
Saudades das magníficas tardes com a minha querida Professora Doutora Maria Alexandre Bettencourt Pires, que sempre acreditou em mim. (Fotografia no dia da sua tese de Doutoramento)
Saudades das incontáveis festas com os meus amigos
Saudades de um mês inteiro de férias na Grécia em 2009
Saudades do primeiro casamento de um amigo. Para mais se seguirem, talvez...
Todos os dias tenho saudades de trabalhar !
Saudades da Clínica Sorria, onde trabalho, com o meu Mestre Renato Souza que todos os dias me ensina.
Saudades de escrever para a Moda e Moda, que ainda agora comecei e que quero continuar.
Saudades de eu e a minha irmã sermos pequeninos outra vez.
Saudades de conhecer e estar com pessoas importantes.
Saudades dos meus amigos da primária, que voltei a reencontrar e não quero perder outra vez.
Saudades do meu Pai, de quem preciso muito.
Saudades do meu Avô, que nunca cheguei a conhecer e que gostava que visse todos os meus êxitos.
Saudades do que não me lembro. Saudades do que não tenho imagens para reproduzir. Sou tão novo e já tenho tantas razões para ter saudades. Só posso sugerir que façam o mesmo. Até porque é meu objectivo atenuar estas saudades simplesmente com novos desafios, para que em 2021 possa de novo realizar tão positivo balanço.
Farei 27 anos no próximo mês de Janeiro, tal como disse. Já sei que me esperam afirmaçõs do género "estás quase a chegar aos 30". Mas o tempo que me levou a juntar estas fotografias, fez-me perceber que se do tanto que fiz nestes últimos anos, metade se voltar a repetir, ainda me falta muito...mesmo muito...
Feliz 2011 !
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